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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007
Entrevista com o Deputado Estadual Sargento Rodrigues
ENTREVISTA : DEPUTADO SARGENTO RODRIGUES
A política é a ciência da ciência
Deputado Estadual Sargento Rodrigues fala da importância da política em sua vida
Em entrevista dada no seu gabinete, o Deputado Estadual Sargento Rodrigues fala de política, sua carreira militar, seus mandatos, o Movimento Reivindicatório de 1997 e o polêmico filme Tropa de Elite.
Por Adelle Soares e Fernando José
Pergunta - O que levou o senhor a optar pela PM?
Deputado Sargento Rodrigues - Primeiramente a influência do meu irmão, que também era sargento da PM. Daí então me despertou o interesse na mediada em que fui conversando com ele. Me ingressei no dia 3 de dezembro de 1984. Vocês nem tinham nascido ainda!! (Deputado brinca!)
Pergunta - O que o “Movimento Reivindicatório de
Deputado Sargento Rodrigues - O movimento marcou principalmente na emoção e na descoberta de exercer a cidadania. Quando policias militares vão ás ruas de cara limpa protestar melhores salários, pelo tratamento desumano, injusto que era recebido nos quartéis, ele exerce aquilo de mais precioso no dia-a-dia, que é poder expressar livremente sua indignação. Naquele momento eu me senti cidadão por completo, por participar de uma passeata, e principalmente por pertencer uma tropa que sempre esteve no cordão de isolamento. O prazer, o sabor de estar do lado de lá ele era infinitamente melhor do que está no cordão de isolamento. Porque aí você exercia a cidadania, reivindicava e cobrava como qualquer outro trabalhador, que até então éramos ignorados pelo governo, pelo próprio comando da PM, pelo judiciário, pelo ministério público, por todos. Então naquele momento exercemos a cidadania, que foi a grande satisfação que cada militar teve de participar daquele movimento no 13 de junho de 1997.
Pergunta - Logo após o “Movimento de
Deputado Sargento Rodrigues - Através da emenda constitucional 39, do dia 2 de julho de 1999, com uma negociação do governo, que eu mesmo votei. Fui reintegrado ao corpo de bombeiros. O bombeiro foi desmembrado da PM. Fomos anistiados e reintegrados.
Pergunta - E tinha alguma diferença?
Deputado Sargento Rodrigues - Têm, pois destes 186 uns 20 eram bombeiros e foram anistiados por completo, eles voltaram para o bombeiro. Em compensação cerca de 160 eram militares. A atividade de bombeiro é diferente da atividade de policia. Mais como o regulamento é o mesmo, e o estatuto é o mesmo, politicamente é o que foi viável. Não conseguimos uma anistia completa.
Pergunta - Fale da ligação entre a PM e a política que existe em sua carreira.
Deputado Sargento Rodrigues - Não há como separar. Eu sou autor de 15 leis, nestes quase nove anos de mandato. Pelo menos a metade delas é voltada ao servidor, policial militar, civil, bombeiro e agente penitenciário. O vínculo que eu tenho com a instituição é muito forte e faz com que o mandato caminhe muito próximo. Até na formação acadêmica eu busquei me especializar nesta área. Até por causa da própria experiência que eu trouxe. Presido a Comissão de Segurança Pública da Assembléia pela segunda vez, então têm tudo a ver. O meu mandato gravita em torno da segurança pública.
Pergunta - O que o senhor atribui o fato de ter sido o policial mais votado do Estado em 1996, antes mesmo do Movimento Reivindicatório de 1997?
Deputado Sargento Rodrigues - O movimento me deu uma maior visibilidade. Fiquei como primeiro suplente de vereador
Eu realmente exercia uma forte liderança, a ponto de ser convertido
Pergunta - O que o senhor atribui o sucesso de ter sido o segundo deputado mais votado do Estado, em seu primeiro mandato, em 1998?
Deputado Sargento Rodrigues - Bom, sem sombra de dúvidas a grande exposição na mídia, aliada ao fato histórico, único em toda história do país que nenhuma polícia militar saiu nas ruas em passeata antes da nossa. Isso fez com que agente ganhasse visibilidade e projeção na mídia, chegando aos quatro cantos do estado, obviamente através da receptividade daquele público direto que eram os militares e seus familiares.
Pergunta - O que o senhor atribui a sua reeleição, no qual obteve o segundo mandato?
Deputado Sargento Rodrigues - Obviamente foi o nosso trabalho. Encerrei o primeiro mandato com sete leis aprovadas, e a anistia dada. Enterramos o pior instrumento que era o Antigo Regulamento Disciplinar. Instrumento mais perverso, arcaico e obsoleto que trabalhava sobre os órgãos dos policiais. Completamente inconstitucional que mesmo assim vigorou até agosto de 2002. Fui relator do novo livro. Isso fez com que tivéssemos mais uma vez a aprovação daqueles que nos confiou o voto. Eu tinha absoluta consciência que no primeiro mandato alguns intelectuais acharam que aquilo seria uma “onda midiática”. Eu tive consciência desde o primeiro dia que fui eleito que ia repercutir neste aspecto. Cabe a eu ser a voz daqueles que me colocaram lá, e foi isso que eu busquei, o que me conferiu uma reeleição para o segundo mandato em 2002.
Pergunta - O que a política representa na vida do senhor e qual a importância dela?
Deputado Sargento Rodrigues - Bom, até então eu também fazia parte daquele universo de cidadãos que não ligava para a política. Hoje, já no terceiro mandato, conhecedor do que a política é capaz de modificar na vida das pessoas, mudei por completo. Hoje não tenho mais o tempo que tinha quando era sargento. Achava que trabalhava mais. Hoje trabalho muito mais como deputado do que como sargento. O exercício do mandato de faz ter uma experiência muito rica. Tenho muita saudade, principalmente da rádio patrulha, até hoje sinto o coração prender quando vejo uma viatura da ROTAM passando, mas eu sei que do lado de cá sou muito mais útil, pois quando faço uma lei consigo atingir todos os policiais e cidadãos dos 853 municípios. Um mandato de 4 anos é como se eu estivesse sentando no banco de uma faculdade, principalmente o deputado que tem o perfil que eu tenho, que é o perfil de redimentalista, que gosta de participar de debates e CPI’s, de elaborar projetos.
Pergunta - Qual o seu ponto de vista em relação à política atual brasileira?
Deputado Sargento Rodrigues - A política está bastante “atribulada”, eu diria. Questionada por todos. E nós temos alguns exemplos no campo político que não relata aquilo que uma boa parcela de representante do povo faz no dia-a-dia, e por outro lado temos uma parcela da mídia perversa, pois a imprensa tem o receio da caneta do judiciário, pois o parlamento é muito agredido e isso acaba evidenciando muito mais este lado ruim, pois matéria boa não sai, matéria boa não vende, e como tenho formação na área de comunicação, eu sei perfeitamente os princípios básicos da teoria da comunicação, pois o parlamento é muito agredido. Nós também temos ainda o eleitor que barganha cesta básica, a conta de luz, a conta de água, remédio. Temos no interior pessoas que votam em quem o prefeito manda. A política contribui para que agente tenha representante de péssima qualidade, representante corrupto. Então isso acontece. Mais eu tenho muita esperança e confiança que o tempo vai se encarregar de formar novos cidadãos e que aos poucos vamos reverter este quadro.
Pergunta - O senhor acredita na política brasileira?
Deputado Sargento Rodrigues - Acredito, porque todo este quadro ruim só pode ser mudado também a através da política. Não existe outra ciência que está acima da política, porque é a política que determina se sua escola pode melhorar de qualidade ou não. Uma lei aprovada por mim aqui na assembléia pode melhorar a sua vida ou piorar. Eu posso as vezes impor uma carga tributária mais alta que aquela. Então a política continua sendo a ciência da ciência. É aquela que pode buscar convergir interesses coletivos ou aquela que pode realmente fazer com que haja desenvolvimento do seu país com desigualdade social, tudo aquilo que pode ser feito de bom através da política.
Pergunta - Gostaríamos que o senhor comentasse o texto:“Tropa de Elite está aqui”, escrito pelo senhor mesmo, que foi publicado no dia 22 de outubro de 2007, no Jornal O TEMPO.
Deputado Sargento Rodrigues - Não têm jeito de ter em uma corporação com todos honestos. “Os dedos da mão não são iguais”. Quando eu concluo na última frase assim: “a verdadeira tropa de elite está aqui”, primeiro porque eu pertenci a ela, eu posso falar de lá de dentro, segundo porque enxergo como espectador do lado de fora. Pela forma de atuação, tudo isso nos coloca nesta condição. Por que os morros cariocas chegaram naquele estágio do crime e aqui não? A polícia militar é o único órgão público que funciona 24 horas por dia. Aquilo tudo que vocês viram no filme é a absoluta verdade. A corrupção policial e a incompetência do estado em ingerir políticas públicas e efetivar a segurança. Agora aqui na maioria das vezes não chegou porque os policiais não permitiram, não cruzaram os braços. E eu falo que é muito mais fácil o policial redigir um boletim de ocorrência e entregar na delegacia e não procurar o criminoso. Falo que é simplesmente patrulhar o asfalto. Por isso concluo que a verdadeira tropa de elite está é aqui.
Pergunta - Para finalizar, “Vale e pena ser político”?
Deputado Sargento Rodrigues - Vale a pena, e que pese todas as críticas que nós recebemos, e que pese a incompreensão do eleitor, pois quando se busca através do trabalho, perseverança e determinação, você realiza grandes feitos. Ás vezes uma audiência pública consegue solucionar um grave problema, traz as autoridades pro debate, traz a população, aperta quem tiver que apertar, e aquela audiência traduz uma mediação de conflitos como uma solução de interesses divergentes, e agente consegue buscar a solução. Fico satisfeito em poder apresentar propostas de leis que afirmam a sociedade, que venha atender o coletivo e ao mesmo tempo que eu esteja cumprindo o meu papel, que é o papel de representar a sociedade buscando o melhor possível. Muitas vezes cometemos falhas, mais nada que não possamos corrigir e fazer melhor no próximo passo. Tenho feito coisas que acredito que estão alcançando o objetivo do mandato e espero continuar contribuindo para que o parlamento mineiro possa ter uma visão diferenciada daqueles que o criticam.























